Romana
Bellotto
Ao receber as inúmeras cartas de Cecília minha irmã,
contando sua vida no Brasil, a curiosidade sobre este país crescia
e eu ficava horas e horas imaginando como tudo aqui deveria ser muito bonito.
Cecília havia deixado a Itália no ano de 1.926 para se encontrar
com Isidoro seu esposo que já estava no Brasil há três
anos.
Depois de andar por diversos lugares, Isidoro se estabeleceu em Pinheiro Preto,
onde adquiriu um pedaço de terra na margem direita do Rio do Peixe,
em Linha Boa Esperança. Aos poucos, Cecília e Isidoro, com muito
trabalho e perseverança construíram um casarão que se
localizava nas imediações da Igreja Matriz, ali o dois mantiveram
por muitos anos o Hotel Bellotto, salão de bailes e restaurante.


Os
sucessivos convites que Cecília fazia através das cartas que me
enviava, onde pedia que eu viesse ao Brasil, a saudade que eu sentia de minha
irmã e mais ainda, a vontade de conhecer este país, me ajudaram
a decidir providenciar o passaporte, fazer as malas, deixar família e
o emprego e atravessar o oceano rumo a América..
Embarquei em Lamon no dia 31 de maio de 1.937 e após longos dias de viagem
desembarquei no Rio de Janeiro donde segui de ônibus para São Paulo,
e dali até Pinheiro Preto foram mais dois dias de trem. A medida que
a gente se distanciava de São Paulo e avançava pelo interior eu
me impressionava com a quantidade de florestas e pela grande extensão
de terras despovoadas. O trem percorria grandes distâncias sem que a gente
avistasse de suas janelas uma vila sequer, as estações de parada
a não ser em raros casos, eram apenas locais com aglomerados de casas
de madeira e muitas matas em seus arredores. Tudo era muito diferente do meu
país, parecia que eu estava entrando num mundo totalmente desconhecido,
esta sensação me acompanhou durante quase todo o trajeto e somente
desapareceu quando abracei minha irmã que me aguardava na estação
de Pinheiro Preto.
No início de minha vida por aqui senti muitas saudades e confesso que
inúmeras vezes pensei em retornar a Itália, mas com o tempo, as
novas amizades, o trabalho ao lado de minha irmã, cunhado e sobrinhos
foram preenchendo meus dias e esta terra foi se tornando muito importante para
mim.
Lembro perfeitamente que quando o trem parou na estação de Pinheiro
Preto, uma simples e pequena construção em madeira, fixei os olhos
neste chão que seria a minha nova pátria; o quadro com o qual
deparei não era nada animador, apenas algumas casas e poucas pessoas
pelas escassas e poeirentas ruas do nascente povoado. Tudo era muito diferente
do lugar de onde eu vinha, mas aqui as pessoas tinham no olhar um certo contentamento,
uma alegria contagiante, percebi que elas tinham diante de si um grande objetivo,
vencer os desafios de uma terra jovem e promissora, cheia de esperança
e futuro verdadeiramente promissor.
Posso dizer que acompanhei com muito interesse o crescimento desta cidade ao
lado de meu marido Humberto Bresolin. Aqui nasceram meus filhos e sei que neste
chão a minha história continuará através de meus
descendentes, aos quais eu sempre gosto de contar as passagens de minha infância
na Itália, das pessoas queridas que um dia tive que deixar.
Mas procuro transmitir também a eles o valor desta terra brasileira,
que recebeu ao longo dos anos tantas pessoas procedentes dos mais diferentes
lugares e que aqui convivem em paz e unidos na construção de uma
vida melhor.Romana Bellotto
Ao receber as inúmeras cartas de Cecília minha irmã, contando
sua vida no Brasil, a curiosidade sobre este país crescia e eu ficava
horas e horas imaginando como tudo aqui deveria ser muito bonito. Cecília
havia deixado a Itália no ano de 1.926 para se encontrar com Isidoro
seu esposo que já estava no Brasil há três anos.
Depois de andar por diversos lugares, Isidoro se estabeleceu em Pinheiro Preto,
onde adquiriu um pedaço de terra na margem direita do Rio do Peixe, em
Linha Boa Esperança. Aos poucos, Cecília e Isidoro, com muito
trabalho e perseverança construíram um casarão que se localizava
nas imediações da Igreja Matriz, ali o dois mantiveram por muitos
anos o Hotel Bellotto, salão de bailes e restaurante.
Os sucessivos convites que Cecília fazia através das cartas que
me enviava, onde pedia que eu viesse ao Brasil, a saudade que eu sentia de minha
irmã e mais ainda, a vontade de conhecer este país, me ajudaram
a decidir providenciar o passaporte, fazer as malas, deixar família e
o emprego e atravessar o oceano rumo a América..
Embarquei em Lamon no dia 31 de maio de 1.937 e após longos dias de viagem
desembarquei no Rio de Janeiro donde segui de ônibus para São Paulo,
e dali até Pinheiro Preto foram mais dois dias de trem. A medida que
a gente se distanciava de São Paulo e avançava pelo interior eu
me impressionava com a quantidade de florestas e pela grande extensão
de terras despovoadas. O trem percorria grandes distâncias sem que a gente
avistasse de suas janelas uma vila sequer, as estações de parada
a não ser em raros casos, eram apenas locais com aglomerados de casas
de madeira e muitas matas em seus arredores. Tudo era muito diferente do meu
país, parecia que eu estava entrando num mundo totalmente desconhecido,
esta sensação me acompanhou durante quase todo o trajeto e somente
desapareceu quando abracei minha irmã que me aguardava na estação
de Pinheiro Preto.
No início de minha vida por aqui senti muitas saudades e confesso que
inúmeras vezes pensei em retornar a Itália, mas com o tempo, as
novas amizades, o trabalho ao lado de minha irmã, cunhado e sobrinhos
foram preenchendo meus dias e esta terra foi se tornando muito importante para
mim.
Lembro perfeitamente que quando o trem parou na estação de Pinheiro
Preto, uma simples e pequena construção em madeira, fixei os olhos
neste chão que seria a minha nova pátria; o quadro com o qual
deparei não era nada animador, apenas algumas casas e poucas pessoas
pelas escassas e poeirentas ruas do nascente povoado. Tudo era muito diferente
do lugar de onde eu vinha, mas aqui as pessoas tinham no olhar um certo contentamento,
uma alegria contagiante, percebi que elas tinham diante de si um grande objetivo,
vencer os desafios de uma terra jovem e promissora, cheia de esperança
e futuro verdadeiramente promissor.
Posso dizer que acompanhei com muito interesse o crescimento desta cidade ao
lado de meu marido Humberto Bresolin. Aqui nasceram meus filhos e sei que neste
chão a minha história continuará através de meus
descendentes, aos quais eu sempre gosto de contar as passagens de minha infância
na Itália, das pessoas queridas que um dia tive que deixar.
Mas procuro transmitir também a eles o valor desta terra brasileira,
que recebeu ao longo dos anos tantas pessoas procedentes dos mais diferentes
lugares e que aqui convivem em paz e unidos na construção de uma
vida melhor